A vereadora Najara Costa, conhecida politicamente como Professora Najara Costa, realizou na Câmara Municipal de Taboão da Serra a primeira Plenária dos Povos Tradicionais e Comunidades de Matriz Africana de Taboão da Serra. O encontro reuniu sacerdotes, sacerdotisas, filhos e filhas de santo, pesquisadores, lideranças comunitárias e representantes de movimentos negros em um espaço de diálogo sobre direitos, reconhecimento institucional e fortalecimento das políticas públicas voltadas às comunidades tradicionais.

A atividade marcou a abertura do plenário da Câmara para o debate sobre valorização cultural, combate ao racismo religioso e proteção das tradições afro-brasileiras no município.

Durante a plenária, foram discutidas propostas voltadas à ampliação da participação das comunidades de matriz africana nas políticas públicas municipais, além de ações de preservação da ancestralidade e enfrentamento à intolerância religiosa.

Participaram do encontro representantes do gabinete da deputada estadual Leci Brandão, referência nacional na defesa da cultura negra e dos povos tradicionais, além de integrantes do Movimento Negro Unificado e da Unegro, com representantes das direções estadual e municipal.

Entre as lideranças presentes estiveram Mãe Bárbara de Oyá, filha do histórico babalorixá Pai Quilombo, reconhecida pela atuação em defesa do tombamento do Ilê Asè Jagun, e a Iyalorixá Débora D’Osun, presidenta do Conselho Municipal de Igualdade Racial de Taboão da Serra.

Durante o encontro, também foi debatida a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Reparação, relatada pelo deputado federal Orlando Silva. A proposta trata da criação do Fundo Nacional de Reparação e Promoção da Igualdade Racial e busca estabelecer mecanismos de reparação histórica à população negra brasileira, além do fortalecimento das políticas públicas de igualdade racial.

Segundo a Professora Najara Costa, a plenária representou um importante passo no reconhecimento político e institucional das comunidades tradicionais de matriz africana no município.

“A construção de políticas públicas passa pelo diálogo com os territórios, pelas lideranças e pelas comunidades que historicamente resistem ao racismo religioso e à invisibilização. Essa plenária nasceu justamente desse compromisso com escuta, reconhecimento e reparação”, afirmou a vereadora.

A iniciativa também teve como referência marcos legais nacionais e internacionais voltados à proteção dos povos e comunidades tradicionais, entre eles o Decreto Federal nº 6.040/2007, que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais.

O encontro ainda dialogou com os princípios estabelecidos pela Declaração e Programa de Ação de Durban, documento internacional voltado ao enfrentamento do racismo estrutural, da discriminação racial e da intolerância religiosa.